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Janeiro 28, 2008

Não me olvides


O evento do dia: o frio, a chuva que cai vagarosamente como música para o casal que dança. Uma foto, um filme, um flash. Tudo guardado no álbum da mente, a História em câmera lenta e alta definição.

Ou apenas uma tarde cinza.

O anel de diamante na mão reflete todo o brilho que os olhos não têm. Miosótis azuis na floreira da janela... Não-te-esqueças-de-mim.

O sucesso da noite: falta luz e falta ar. O cambalear das chamas das velas e o fracassar do fim. Recomeço, edredom e chocolate quente.

Miosótis. Amor verdadeiro.

Janeiro 27, 2008

2008


Mais um ano começa...

Normalmente só me dou conta disso depois do Carnaval, mas não teve como não notar esse ano chegando. Voltei de viagem em meados de janeiro e ele já estava aqui, me esperando, como se quisesse lembrar tudo o que me aguarda...

Quando se está longe de casa, é difícil perceber o tempo passando. Passei três semanas fora, mas quando voltei pareceu muito menos. Foi uma viagem perfeita. Fiquei em Balneário Camboriú, mas fui em muitas das praias ali por perto: Navegantes, Estaleirinho, Estaleiro, Laranjeiras, Bombinhas, Mariscal... até à Praia do Pinho. Fui para Florianópolis. Andei de teleférico, sofri um ata que de vespas/marimbondos/abelhas gigantes, andei pela cidade ala gada, presenciei uma re volta popular... ufa!

De volta à Londrina, senti falta da praia para caminhar à noite na falta do que fazer, do sol - porque até agora só choveu -, até da areia que fica impregnada em absolutamente todas as coisas e não sai de jeito algum.

Porém ainda tenho um mês de férias, ainda tenho o Carnaval, só não tenho mais dinheiro! Nas férias, tanto faz se é segunda, quinta ou sábado, se são quatro da tarde ou cinco da manhã. Essa absoluta falta de compromisso dá uma certa sensação de liberdade. Que aliás é uma sensação muito boa...

E até fevereiro vou assim, até começar o quarto ano da faculdade, o estágio obrigatório, o outro, os estudos, a natação... ufa! Fazer nada é bom, mas é melhor fazer nada quando se tem muita coisa para fazer!

Dois mil e sete prometeu e cumpriu.

Dois mil e oito já está dando resultados.

Janeiro 26, 2008

Recreio



- Você já ouviu falar naquela experiência que os caras fizeram com um condenado à morte?
- Que experiência?
- Falaram pro cara que iam cortar o pulso dele, se o sangue coagulasse ele seria libertado, senão morreria... Mas não sei se é verdade, não existe esse negócio de ser libertado...
- Não, é verdade sim.
- Então, mas aí eles só fingiram que cortaram e deixaram água gotejando para ele achar que era o sangue dele.
- Ãhm..
- Daí ele morreu quando acabou a água, sem perder sangue. Mas acho que é mentira.
- Não, é verdade, Hitler fazia isso na guerra.
- Ah, Hitler até acredito.
- É, meu professor falou. Ele colocava produto químico no olho das pessoas para ver se mudava de cor.
- Pára, tô comendo. E não é engraçado.
- Não acho engraçado, tô rindo de você. "Tô comendo". Eu também tava comendo e você começou a falar de cortar pulso.
- Desculpa...
- E foi bem na hora que eu tava passando ketchup...

Novo endereço

Agora você também pode acessar o blog pelo endereço www.outroblogdamary.com :)

Janeiro 24, 2008

A consciência

Vamos lá, comece do princípio. Você sabe como é, não há porque hesitar. Não pense, simplesmente deixe as palavras escorrerem por seus dedos. Feche os olhos e deixe a emoção fluir. Não se preocupe, não se preocupe com nada. Nada pode atrapalhar seu caminho através das letras. Então vá, continue. Apenas junte-as uma por uma, adicione um espaço em branco aqui e ali e pronto, não vê como o texto se constrói sozinho?

Isso, assim está bem. Apenas não pare e não pense. Não pense! Deixe fluir tudo o que está dentro de você. O que você sente? O que acha importante, errado, pouco? Ora, vamos lá, deve haver muito "pouco" na sua vida...

Não? Ah, para mim você não pode mentir, procure bem lá no fundo da sua alma, dos seus sentimentos, procure até onde eu termino, nada? Eu sei, bons momentos na vida são maus momentos no papel, à quelque chose malheur est bon, mas não adianta me torturar para conseguir encher algumas linhas.

Olha, eu só estou tentando ajudar, não extrapole. Não vê que esses três parágrafos vieram com o meu auxílio? Tudo bem, eu entendi. Você até que estava indo bem, sinceramente. Mas já que assim é, oras... por que você não escreve sobre a sua terrível felicidade?

- Minha querida, não se afobe comigo! Sabe muito bem que descrever a felicidade é diminui-la*!

* Stendhal

Janeiro 17, 2008

Writing

A man who keeps a diary, pays
Due toll to many tedious days;
But life becomes eventful--then
His busy hand forgets the pen.
Most books, indeed, are records less
Of fulness than of emptiness.

-- William Allingham