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Novembro 26, 2007

Se não rimar, não é poema II

Lá estou eu de novo analisando tudo ao redor enquanto a vida passa pelas janelas do carro. Último dia de aula, só mais uma prova e lá se foi outro ano. E que ano...

Ultimamente tenho pensado muito que tudo na vida é uma questão de momento. As pessoas sempre lembram das conseqüências, mas esquecem o que levou a elas. E se a vida é apenas uma reunião de momentos, será tão passageira quanto eles, por mais que tenham tido um grande significado?

"Isto também passará", e a mudança é a única coisa que perdura. A maior tragédia e o maior conforto da vida. Para todos os outros seres do mundo, a felicidade é o desejo de repetição. Mas o tempo humano não gira em círculos, avança em linha reta.

Por isso, para nós, as coisas tendem a ficar para trás. Para sempre. Mas significa isto que não podemos ser felizes?

Seria a felicidade para o homem o desejo de viver um momento para sempre? Não, logo se entediaria. A felicidade deve ser não um estado, mas uma capacidade. Capacidade de seguir adiante, deixar para trás, encarar o novo e o desconhecido.

Você é capaz de ser feliz?

Sete meses atrás eu estava à espera. Tinha chegado a um ponto da vida sem estar certa de que era por minha escolha. Todos os dias, eu esperava.

E continuo esperando. Mas nas últimas semanas, em alguns momentos, por pouco tempo talvez... eu não espero mais. Eu sinto felicidade. São as poucas horas do dia em que penso "estou onde queria, me sinto bem". E o mais importante: cheguei aqui porque vim, não me trouxeram; com minhas pernas, tropeços e calos, estou aqui.

Porque na vida não há atalhos.

E agora eu espero o momento de não esperar mais.

(Se não rimar, não é poema)

Novembro 23, 2007

Paixão nacional

Ontem assisti Hooligans, um filme sobre aficionados por futebol e violentas torcidas organizadas, mas acima de tudo sobre o amor pelo time.

No país do futebol, é difícil encontrar alguém que não tenha um time do coração, nem que seja só para falar que torce. Mas uma vez realmente apaixonado por ele, não tem volta: será um amor eterno, fiel e o mais importante, não-correspondido.

E, como resultado de todo amor não-correspondido, vem o fanatismo. Apesar das glórias e derrotas, das lágrimas de felicidade e raiva, eu acho o amor por um time uma coisa linda. Já minha mãe diz que é babaquice, e ela tem razão. Mas quem ouve a razão quando está apaixonado?

Não há nada como ver seu time jogar com raça, ver vontade nos rostos dos jogadores, ver que eles estão realmente dando a alma na partida. Talvez por isso os jogos da seleção brasileira tenham se tornado tão chatos de assistir. Fora um ou outro jogador, há brilho de menos na equipe que, pelo menos por quantidade de títulos mundiais, é a melhor do mundo.

É bonito ver quando um grupo 'fecha', estimulado a alçar um objetivo, seja sair da zona do rebaixamento, seja chegar à Libertadores. E claro, não há nada no mundo do futebol que se iguale a ver um craque jogar. Infelizmente o futebol força tá roubando o lugar do futebol arte, e já a muito tempo.

Mas a esperança é a última que morre... Bem sei eu disso: meu time perdeu por 2 x 0 na primeira partida da final do Paulista e todos diziam que ser campeão estava longe, mas ele foi lá e reverteu. Semi-final da Libertadores, mesma coisa: 2 x 0 para o Grêmio no jogo de ida. Em casa, ainda começou perdendo. Mas o Santos fez os quatro gols que precisava para chegar à final. Infelizmente, um deles foi anulado, e o Grêmio deu vexame contra o Boca.

Na tabela do Campeonato Brasileiro de 2007, um dos mais fracos dos últimos anos, apenas 12 pontos separam a zona da degola do G4, contra 25 do ano passado. Faltam apenas duas rodadas, e apesar do campeão e de um rebaixado já estarem definidos, serão duas rodadas emocionantes para quem pretende escapar ou classificar.

Eu, claro, mal posso esperar para ver o Santos classificado e fazer meu coração pular mais um pouquinho com os mata-matas da Libertadores. Afinal, emoção nunca é demais... é?

Novembro 22, 2007

E você?

"Sempre há um quê de ridículo nas emoções das criaturas que deixamos de amar"

Lorde Henry podia não ser tão cretino quanto suas frases de efeito supunham, até porque pelo menos uma vez ele esteve apaixonado. Talvez eu mesma não seja tão deselegante como alguns presumem e por isso larguei o rascunho de uma última carta rancorosa por este texto bem-humorado - pelo menos assim espero.

É que às vezes dá vontade de falar tantas coisas que a bondade do meu coração não permite... Mas tudo bem, é hora de seguir adiante, afinal estou voltando a escrever depois de seis meses e seis meses é um bocado de tempo significativo. Nesse período, tive fins e começos, me livrei de problemas que, como não são mais meus, não cabe me delongar sobre.

Esse negócio de "fazer funcionar"... bem, não funciona. Agora o que me resta - e que farei com prazer - é pôr uma pedra em cima das pessoas coisas que me importunaram. E faço isso exatamente nesse momento! Sim, claro que eu queria jogar muitos fatos na cara de quem merece uma pitada de maturidade e pé no chão. Mas eu sou melhor que isso.

Estou bem, e você? Estou bem-resolvida, tranqüila e muito feliz. Não guardo rancor, não busco aprovação nem sou presunçosa. Não me sinto o centro do universo - ou tenho essa necessidade. Sei conviver socialmente, conheço limites e estou familiarizada com a noção de bom-senso. Em outras palavras, sou uma pessoa como qualquer outra - nem acima, nem abaixo.








E você?