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Maio 22, 2007

Cansei

"Ora, como tudo cansa, essa monotonia acabou por exaurir-me também"

("Dom Casmurro", de Machado de Assis)


E assim vou me afastar mais uma vez.

Escrever sempre irei, pois é necessidade. Caso não recorra a papel e caneta, posso eventualmente publicar alguma coisa. Mas no momento acho difícil. Preciso pensar com letras e não vou me expor em público.

Fica assim, então. Quem sabe um dia... data que todos esperam, mas que nem sempre chega.

Não é adeus, é até mais...

Maio 16, 2007

Pensem, logo opinem

Estamos na era da informação: ela está muito mais acessível, principalmente através da internet. Porém, isso não quer dizer que as pessoas têm aproveitado essa facilidade. O problema maior, talvez, seja a mensagem que a mídia vem passando de que qualquer um tem capacidade para opinar sobre qualquer assunto. Sempre se vê um ator celebridade qualquer falando sobre política, defendendo aquela ou esta posição. O perigo disso, além da notável falta de aptidão, é que grande parte das pessoas acreditam. Se novelas ditam jeitos de falar e se vestir, por que não influenciariam nesse aspecto?

A famosa mentalidade de rebanho infelizmente não termina aí. Munidos de opinião alheia, também os espectadores acham que são capazes de manifestar o que acham que acham, não se importando em pesquisar ou, muito mais difícil, raciocinar. Quando isso acontece, é de cair o queixo. Foi o que aconteceu comigo ontem ao ler os comentários da notícia sobre a condenação do mandante do assassinato da missionária Dorothy Stang. Ele pegou trinta anos de reclusão por homicídio duplamente qualificado.

Tem todo tipo de absurdo nos comentários. Um sujeito ficou perplexo porque ainda cabe recurso! Impressionou o nível de alienação que muitos se encontram, falando mal da "Justiça". Claro que ela está longe de ser perfeita, mas não é tão cheia de aleatoriedades como acham. Segue um comentário:

Joelson | 15/05/200718h08

30 anos no papel soh, prq com essa justiça porca q eh no nosso Brasil, esses 30 daki a uns dias jah vai pra uns 20, ateh chegar num 10 i dai sim, cumpre 1/6 da pena na cadeia, q isso resultaria em 1 ano e 8 meses, pra depois sim, sair rindo da cara dos juizes i de toda população [sic]

Parece que está na moda ter opinião sobre tudo, mas falar absurdos acho que nunca esteve. Pensem, logo, opinem.

Maio 07, 2007

Santos Eterno

Meu domingo passado terminou em lágrimas. Lágrimas inconsoláveis. Absolutamente nada nesse mundo poderia me fazer sentir melhor naquele momento. Depois de uma campanha impecável, o Santos caía perante o São Caetano. Dois a zero, um jogo medíocre que mal lembrava o Santos dos pontos corridos, um sonho que veio abaixo.

Como sempre, eu seguia fielmente o Santos, duas vezes por semana, torcendo, rezando, sorrindo. Sei de cor os momentos mais importantes do campeonato. O começo contra o Grêmio Barueri, quando eu ainda estava de férias na praia. A decepção surpreendente contra o São Bento em plena Vila Belmiro no Carnaval. A raça perante o Palmeiras. O gol mal anulado de Jonas contra o São Paulo.

Assim, o Santos terminou a fase classificatória seis pontos à frente do segundo colocado e quinze à frente do quarto. Uma enormidade. Uma diferença gritante. Uma campanha irretocável.

A agonia começou na semifinal. Não sei como meu coração não parou quando, aos 42 minutos do segundo tempo do jogo de volta, a bola do Bragantino tocou o travessão. O São Caetano vencera o São Paulo com certa facilidade. O Santos sofreu. Ambos estavam na final.

Como já disse, meu domingo passado terminou em lágrimas inconsoláveis. Restava outro jogo, é claro, mas estava difícil. Principalmente levando em conta a postura do time nos últimos jogos. Doeu muito ver o trabalho de dezenove jogos, líder desde a terceira rodada, cair tão rapidamente em frente aos meus olhos.

Na madrugada de segunda passada, acordei achando que tudo não passava de um pesadelo. Eu costumo sonhar em vésperas de jogos, porém dessa vez era real. O Santos, de fato, perdera. A alegria dos rivais era visível, chegava até a ser eufórica. Confesso que só recuperei as esperanças depois do jogo de quarta-feira contra o Caracas. Saí do trabalho mais cedo para assistir... Valeu a pena.

O domingo decisivo chegara. Sonhei que estava com meu pai na Vila Belmiro, onde seria o jogo, mas que este tinha sido cancelado porque o árbitro não poderia comparecer. No sonho, sentia que não conseguiria esperar outra semana naquela ansiedade. Na realidade, cada segundo que o ponteiro avançava me deixava mais e mais aflita.

As quatro horas demoraram para chegar. É agora... É isso... .É o último jogo, os últimos noventa minutos, é agora ou nada! Me vesti a rigor e sentei no sofá, de acordo com o ritual rigorosíssimo da superstição. As unhas pintadas de preto (branco na semana passada)...

Começou o jogo.

Só a adrenalina fez meu coração sobreviver intacto a cada lance perigoso. O São Caetano estava amedrontado. Adaílton abriu o placar no primeiro tempo. Precisávamos repetir o feito no segundo, mas o relógio não parava: trinta, trinta e cinco. O gol veio no momento certo, com Moraes. Mais alguns minutos e a agonia embaçaria a visão dos jogadores e com certeza a minha.

Santos dois a zero. Santos devolve o placar e levanta o troféu. Um jogo histórico visto por 59 mil torcedores. Uma final para guardar na lembrança. Dá-lhe Santos, meu amor... nos revemos quinta-feira.

SANTOS, CAMPEÃO PAULISTA 2007