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Fevereiro 26, 2007

O problema dos quatro quatros

Apresentado no livro "O Homem que Calculava", escrito pelo brasileiro Júlio César de Mello e Souza sob o pseudônimo de Malba Tahan, o problema dos quatro quatros consiste em formar números inteiros usando apenas quatro algarismos 4. Segundo a obra, é possível formar todos os números inteiros entre zero e cem. Mas há quem diga que pode-se ir até além do número 10.000.

Para tanto, é permitido o uso das seguintes operações matemáticas:

- soma (+)
- subtração (-)
- multiplicação (x)
- divisão (/)
- fatorial* (n!)
- termial** (n?)
- raiz quadrada (√n)
- exponenciação (n^x)

Por exemplo, para obter resultado zero:

44 - 44 = 0

Já o 'um' pode ser obtido de diversas formas. A mais cômoda:

44 = 1
44

A expressão do 'dois' é simples:

4 + 4 = 2
4.....4

Seguem outros exemplos:

4 + 4 + 4 = 3
.....4

4 + 4 - 4 = 4
.........4

4 x 4 + 4 = 5
.....4

4 + 4 + 4 = 6
...4

Se você procurava um passatempo matemático, achou .

Boa sorte.



* representa o produto entre todos os números inteiros positivos menores ou iguais a n. 4! = 4 x 3 x 2 x 1 = 24.

** representa a soma de todos os números inteiros positivos menores ou iguais a n. 4? = 1 + 2 + 3 + 4 = 10.

Fevereiro 18, 2007

Fim de férias

Meu Deus, amanhã começa minha última semana de férias! Oh não! Queria férias para sempre! Verão para sempre, dezenove anos para sempre...

Ok, talvez não para sempre, mas por pelo menos mais dois meses. Senão cansa: faltam propósitos de vida nas férias. A menos que sair todo dia, dormir tarde e acordar tarde ou ficar bronzeada sejam propósitos de vida...

Pois é, logo recomeçam as aulas, estágio, curso de língua, atividade física... enfim, tudo que deixamos para depois do carnaval. Ufa, haja tempo. E ainda terei que achar espaço pra estudar e, claro, viver. Ah, se eu acho!

Além disso, este ano pretendo abrir mão do meu esporte predileto: desistir. Desistirei de desistir. Sou uma grande renunciante, ou quitter, como diriam os americanos.

Três meses passaram voando. Num piscar de olhos. Mas não posso dizer que não aproveitei, não dessa vez:

Passei duas semanas ótimas na praia, uma com a família e outra com amigas. No total, foram 27 horas de estrada. Ah se Londrina tivesse mar! Peguei conchinha, tomei água de coco, tomei caldo de onda, tomei banho de mar, de piscina... No fim, já sabia até distinguir buraco de siri de buraco de guarda-sol.

Fiquei em São Paulo dez dias. Andei de avião, de metrô, de trem, de ônibus, de carro. Estive quatro horas presa no aeroporto de Curitiba depois de um vôo tenso e problemas técnicos na aeronave. Sobrevoei o mar. Desci a serra debaixo de chuva para assistir um jogo do Santos na Vila Belmiro, placar final 5 x 0. Encarei a 25 de Março, fui no MASP, subi no prédio do Banespa. Fui até o outro lado da cidade só para ir numa loja de artesanato russo. Linda, por sinal. Comi Burger King, peguei congestionamento... todas essas coisas de cidade grande que não se tem por aqui. Nos vemos em breve, São Paulo.

Tirei fotos lindas, conheci pessoas legais, me reaproximei de antigos amigos. Ganhei muitas histórias para contar, algumas das quais provavelmente contarei em breve. E quer saber? Já estou com saudade de aula, dos amigos, da UEL e até dos macacos que aparecem pelo menos uma vez por ano.


2007 promete

Fevereiro 01, 2007

O mundo foi feito para os destros

"Quando nasci, um anjo torto
desses que vivem na sombra
disse: Vai, Carlos! Ser gauche na vida"

("Poema de sete faces", de Carlos Drummond de Andrade)

A estrofe de Drummond ilustra bem o preconceito contra os canhotos. Em português, canhoto, além de designar quem é mais hábil com a mão esquerda, também quer dizer desajeitado, desastrado. A palavra sinistro, tanto em português quanto em italiano, significa mau agouro ou má índole. Em francês, canhoto (gauche, diz-se gôch) é sinônimo de inepto, sem refinamento.

Não é para menos, uma vez que o canhoto é obrigado a usar sua mão menos apta para tarefas supostamente simples do dia-a-dia. Tesouras e abridores de lata são feitos para serem usados com a direita. Troca-se a marcha do carro com a direita. Nos telefones públicos, o local para inserir o cartão fica à direita. Em estabelecimentos, a caneta sempre fica presa ao lado direito.

Ao escrever, o canhoto mancha os dedos de tinta. O espiral do caderno atrapalha. Às vezes não há carteiras específicas para quem usa a esquerda. Ao segurar uma caneta ou um lápis com a mão esquerda, o que quer que esteja escrito neles ficará de ponta cabeça.

Durante a Idade Média, a Inquisição queimava os canhotos por considerá-los praticantes de bruxaria. Nem tanto tempo atrás, pais e professores amarravam o braço esquerdo de seus filhos e pupilos para forçá-los a escrever com a mão direita.

Até mesmo ditos populares inocentes mostram discriminação. Após vários infortúitos, diz-se que o infeliz acordou com o pé esquerdo. No Réveillon, desejamos entrar no ano novo com o pé direito.

A etiqueta também não ajuda: cumprimenta-se com a mão direita e, à mesa, corta-se o alimento com a faca na mão direita, o que pode levar a um "choque de asas" entre o canhoto e o destro ao lado.

Jesus se sentava do lado direito de Deus. De acordo com uma idéia difundida no séc. XVII, o Diabo não só era canhoto como batizava seus súditos com a mão esquerda.

Na política, a diferença entre esquerda e direita é gritante. Na monarquia francesa, os nobres se sentavam à direita do rei e o Terceiro Estado, que acabou derrubando o regime, à esquerda. Comunistas, anarquistas e outros integrantes da esquerda política ainda são associados à quebra da ordem vigente, cuja manutenção é defendida pelos conservadores, a direita.

Porém, nem tudo é desgraça. Acostumados a usar a mão direita sucessivamente, muitos canhotos tornam-se ambidestros (ou ambicanhotos? ) . Normalmente os canhotos têm mais firmeza na mão direita que os destros na esquerda.

Por isso eu sugiro a vocês, destros, ao escovar os dentes hoje, que o façam com a mão esquerda. Além de sentir a dificuldade na pele, ainda exercitarão o outro lado do cérebro.

Boa sorte!