Janeiro 29, 2007
Pobrema, poblema e problema
Meu Deus do céu, o que estão fazendo com o português? Ninguém usa as normas cultas na linguagem do dia-a-dia, o que é muitíssimo compreensível. Mas há erros inescusáveis. Ainda não decidi se isso me causa dor física ou divertimento...
Esses dias vi um cara falando de todos os revés que tinha passado na vida. Assim, plural pra quê? Mas isso não é erro dos mais graves. Tem gente que não sabe nem agradecer: você sai de uma loja e fala "brigado!" (ou "brigada!"). A vendedora responde "brigado eu!". Mas ontem aconteceu uma coisa inédita. Ao agradecer ao sair da loja, o moço dispara "brigada nós!". Que isso, de nada! Tem coisa pior que um "brigado eu"?
Infelizmente, tem. Você está com um problema. Qualquer que seja o seu problema, existe um 0800 para ligar. Você liga. A moça com voz doce do outro lado da linha diz que vai ter que estar fazendo um protocolo da sua reclamação, para então poder estar enviando uma resposta ao senhor. Mas mantenha a calma. Há coisas piores que atendentes de call-center.
Eu lhes digo, há até mesmo coisa pior que internetês nesse mundo. Perto do que eu vou lhes contar jogar pimbolim, fazer a sombrancelha, ir ao cabeleleiro é pouco. Juro, existem coisas mais nada haver.
A conversa a seguir foi testemunhada por um amigo do meu namorado. Aconteceu, juro. Ele estava num ônibus, voltando para casa. Duas senhoras travavam uma conversa animada no banco de trás. Em certo ponto, uma confessou:
- Sabe que nunca descobri qual é o certo: se é pobrema ou poblema...
- Ai, tá brincando que você não sabe? Por favor, né? Na verdade são três: pobrema é quando é seu, eu tenho um pobrema. Poblema é quando é dos outros, ela tá com um poblema. E problema é de matemática.
...
Janeiro 12, 2007
The Android
I am faster than you
I am stronger than you
Certainly, I will last much longer than you
You may think I am the future
But you are wrong
You are
If I had a wish
I'd wish to be human
To know how it feels
To feel, to hope
To despair, to wonder
To love
I can achieve immortality
By not wearing out
You can achieve immortality
Simply by doing one great thing
(The Android por Johnnie Walker www.theandroid.com)
Janeiro 11, 2007
Cicarelli x You Tube
Os usuários de internet do país se uniram nesta semana para protestar contra o bloqueio do compartilhador de vídeos You Tube desde que uma ação judicial deixou o site fora do ar por quase um dia. O motivo todos conhecem e é perda de tempo gastar mais palavras nesse sentido: o vídeo de Daniella Cicarelli com o namorado numa praia espanhola que caiu na rede no ano passado.
Não é difícil encontrar sinais da revolta: sites, blogs, flogs, comunidades, nicks em programas de mensagens instantâneas,
enfim, todo e qualquer lugar virtual. E, como não podia deixar de ser, muitas demonstrações de ignorância, mentalidade de rebanho e futilidade acompanhando.
A reclamação mais comum é que houve uma "censura digital" ao impedir acesso ao You Tube, o que fere a liberdade de expressão (?). Mas já li absurdos dizendo que o direito de ir e vir virtual foi ferido e que orkut e You Tube são patrimônios virtualmente públicos (!!!).
Confesso que isso me entristeceu e me envergonhou. Me entristeceu porque, apesar de sempre ter acreditado na força das pessoas de se organizarem e lutarem pelo que acreditam, creio que nesse caso o motivo é frívolo. Me envergonhou porque o protesto foi cimentado sobre os argumentos absurdos que citei acima, sobre tamanha ignorância de gente que não se dá ao trabalho de pensar e simplesmente toma como verdadeira qualquer proposição feita por um babaca qualquer.
Durante o colegial, eu e uma amiga tentamos por duas vezes fazer algo do tipo, em escala muito menor. Primeiro, um boicote à cantina, que aumentava os preços quase semanalmente. Depois, um protesto contra Bush e a invasão do Iraque. Entregamos panfletos e tudo mais. Poucos deram atenção.
A tal "censura digital" é o que acontece na China. O Google China, por exemplo, restringe o acesso a sites e a serviços que oferece em outros países, como email, blogs e salas de bate-papo. As autoridades controlam o que circula na internet.
Em maio passado, o Estado de Oaxaca, México, viveu dias de insurreição pacífica e organização popular. Por outro lado, também foi cenário de violência e repressão política. Durante manifestações de professores que exigiam aumentos salariais, o governador Ulises Ruiz adotou uma tática de repressão, causando indignação da população local. Com o apoio do povo, foi formada a Assembléia Popular dos Povos de Oaxaca (APPO), que começou a exigir a destituição de Ulises. Manifestantes lotaram a universidade e montaram centenas de barricadas para impedir a intervenção militar.
Grande parte dos meios de comunicação sequer noticiou esse acontecimento. Já o caso Cicarelli está em todo lugar. Por que será..?
Janeiro 01, 2007
O mais pesado dos fardos
Será que essa guerra entre dois reinos africanos do século XIV se modifica pelo fato de se repetir um número incalculável de vezes no eterno retorno?
Sim: ela se tornará um bloco que se forma e perdura, e sua brutalidade não terá remissão.

Se a Revolução Francesa devesse se repetir eternamente, a historiografia francesa se mostraria menos orgulhosa de Robespierre. Mas como ela trata de algo que não voltará, os anos sangrentos não passam de palavras, teorias, discussões, são mais leves que uma pluma, já não provocam medo. Há uma diferença infinita entre um Robespierre que ocorre uma única vez na história e outro que retorna eternamente para cortar a cabeça dos franceses.
Digamos, portanto, que a idéia do eterno retorno designa uma perspectiva em que as coisas não parecem ser como nós as conhecemos: elas aparecem para nós sem a circunstância atenuante de sua fugacidade. Com efeito, essa circunstância atenuante nos impede de pronunciar qualquer veredicto. Como condenar o que é efêmero? As nuvens alaranjadas do crepúsculo douram todas as coisas com o encanto da nostalgia; até mesmo a guilhotina.
(...)
Num mundo fundado essencialmente sobre a inexistência do retorno, tudo é perdoado por antecipação e tudo é, portanto, cinicamente permitido.
(...)
Se cada segundo de nossa vida deve se repetir um número infinito de vezes, estamos pregados na eternidade como Cristo na cruz. Essa idéia é atroz. No mundo do eterno retorno, cada gesto carrega o peso de uma responsabilidade insustentável. É isso que leva Nietzsche a dizer que a idéia do eterno retorno é o mais pesado dos fardos (das schwerste Gewicht)".
Obs.
Vejo algumas pessoas entrando no blog por endereços antigos. Para linkar diretamente, o endereço atual é http://www.outroblogdamary.blogspot.com/. Obrigada.
















