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Novembro 12, 2006

Em cima do muro

A matéria de capa do Jornal de Londrina deste domingo, 12/11, trata da polêmica proposta de construção de um muro ao redor da Universidade Estadual de Londrina, a UEL. A proposta, prevista no plano de segurança, entregue ao reitor, Wilmar Marçal, dia 07/07, é idéia de Pedro Marcondes, ex-diretor da Penitenciária Estadual de Londrina (PEL) e do Departamento Penitenciário do Estado do Paraná (Depen) e atual chefe da divisão de segurança da UEL.

Segundo o projeto, o muro teria 2,4 km de extensão e três metros de altura, custando aproximadamente R$760 mil. Ele cercaria a parte oeste da universidade, próxima de bairros como o Jardim Columbia e o João Turquino, supostamente a área mais "vulnerável".

Em entrevista, Marcondes disse que a UEL transformou-se em "uma terra de ninguém":

"Vira o estado de guerra que Thomas Hobbes dizia, cada um vai ter que se defender", disse, fazendo o velho contratualista se revirar na sepultura.

Como se não fosse o bastante, ele também sugeriu permitir a entrada da polícia no campus - o que não ocorre devido ao princípio da autonomia universitária.

Eu sou estudante da UEL no período da manhã. Já estive no campus à noite e sei que há problemas em relação à segurança, principalmente devido à escuridão. Porém, não estava ciente de que, lá, estávamos basicamente vivendo no estado de natureza de Hobbes, de todos contra todos, como maus selvagens.

Cercar toda a universidade seria um absurdo de mais de R$1,7 mi. O próprio Marcondes disse que construir um muro ao redor de toda a UEL a transformaria "numa verdadeira colônia penal agrícola". Cercar apenas a porção oeste da universidade seria mais barato, mais preconceituoso e não menos absurdo. Impedir o acesso ao campus, ou pelo menos dificultar, na porção que faz divisa com bairros carentes é chamar seus moradores de ladrões, marginais. O presidente da Associação dos Docentes da UEL (Aduel) tem razão ao dizer que a atual administração tem "Visão carcerária".

A UEL carece de muita coisa. Mas posso dizer com certeza que um muro de três metros de altura não é uma delas. Seria uma solução imediatista para um problema em particular cujas causas permaneceriam inalteradas. Quero dizer, quem rouba continuará roubando, com ou sem muro, na UEL ou fora dela.

O muro teria uma serventia, porém: completaria perfeitamente o cenário de Anfiteatro caído...