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Setembro 28, 2006

Internet, lugar de loucos III

O NPPC

Existe todo tipo de pessoa no meio blogueiro. A maioria, como exaustivamente já se discutiu, narcisista. Porém, destes, a categoria mais irritante é com certeza a "narcisista pedante, porém carente". É tão fácil distingui-lo quanto é difícil caracterizá-lo. Talvez se explique melhor por seus atos: ele quer ser um blog star, mas quer o caminho curto, o que faz dele 'celebridade' pior que ex-BBB.

Cria um blog moderninho, escolhe o nome mais provocativo que é capaz. É um visionário que deu errado. Passa o dia batendo cartão em outros blogs, deixando comentários muitas vezes incoerentes com o assunto do post, só para obter respostas. Coisa que, obviamente, não precisaria fazer se conseguisse formular um texto interessante...

Depois, o "narcisista pedante, porém carente" (NPPC) linka tantos blogs quanto puder no seu, avisa o dono do blog alheio e, se depois de um determinado tempo (normalmente uma semana) o outro blogueiro não retribuir a honra, deixa um comentário afetado-magoado.

O próximo passo é disseminar o endereço para o maior número de pessoas possível. Nesse aspecto, o orkut é seu melhor amigo. O NPPC entra em todas as comunidades sobre blogs que a busca consegue localizar e, nos casos mais graves, cria uma unicamente para o seu, convidando qualquer um, os conhecidos à força.

Uma vez membro, participará ativamente, para que seu perfil com foto bacaninha, centenas de amigos e preenchido até a borda com informações pelas quais ninguém se interessa seja conhecido e visualizado. O NPPC não perderá de vista os tópicos de avaliação, só para desdenhar de quem lhe deu nota baixa e refutar seus argumentos. Vai adquirir a antipatia de alguns membros, mas contornará "o problema". Entre aspas porque o NPPC é do partido "falem mal, mas falem de mim", "sua inveja faz a minha fama" ou "falar de mim é fácil, difícil é ser eu". Típico.

Depois, vem a fase mais complicada: o conteúdo. Os NPPC costumam escrever três parágrafos de três linhas, todas com frases desconexas e pronto. O assunto? Qualquer coisa que venda, de preferência sexo. Mas costumam tratar muito também do lugar comum, das relações da sociedade: a futilidade e a falsidade, dos outros, claro, são favoritas.

Porém, posto tudo de lado, o problema mais grave do NPPC é se achar importante. Um me adicionou uma vez. Não soube dizer o meu famoso "não adiciono desconhecidos" porque, afinal, o conhecia da comunidade, e adicionei. Não gostava do blog dele e não o tinha linkado até o comentário fatídico: "uma pena ver que o &#%$@ não está na sua lista de amigos". Quis ser simpática, acrescentei o link. Contudo, tentando preservar minha privacidade, me doía vê-lo por lá. Como não adiciono nem alguns conhecidos, sofria fisicamente fazer número no rol de "amigos" dele.

Deletei-o.

Pouco depois, ele veio sugar o meu conhecimento sobre o Blogger Beta (hehe). Não me importo de ajudar as pessoas se achar que elas merecem. Eu achava que ele não merecia: era rude sem necessidade, presunçoso, interesseiro e carente, no fundinho. E tinha tentado me passar sermão, uma vez. Respondi secamente. Então ele me perguntou:

"Você é sempre tão monossilábica assim? Aliás, me deletou da sua lista de amigos? Acha que eu sou descartável?"

Eu respondi "sim, para todas as suas perguntas". Então ele disse que eu era realmente lamentável, me ignorou e saiu da comunidade. É por isso que vocês não o tem visto mais por lá

Alguns fatos ainda permanecem debaixo do pano, mas não acho justo ou necessário descortiná-los. Moral da história: perco o 'amigo', mas não perco a piada . E levem na brincadeira, vai!


Leia:
Internet, lugar de loucos II
Internet, lugar de loucos

Setembro 24, 2006

Sobre a Pena de Morte

Eu sou extremamente contra a pena de morte:

É incoerente conceder apenas ao Governo a liberdade de matar alguém, assim como é absurdo que o Estado tire a vida de uma pessoa porque ela não respeitou o direito à vida. Acho absolutamente ilógico que o Estado, para punir uma pessoa que matou outra, contrate alguém para matar e dê dinheiro e proteção ao assassino...

Uma vez aplicada a pena de morte não haverá qualquer possibilidade de voltar atrás, mesmo que se saiba com absoluta certeza que houve erro, que a condenação foi injusta.

Além disso, é fácil saber que a pena de morte nunca fez diminuir o número de crimes. Nem é plausível a justificativa da superlotação dos presídios e/ou o dinheiro gasto no sistema carcerário, já que a pena capital é bem mais cara que uma eventual prisão perpétua.

A vida é um valor moral, que o Estado é incapaz de criar e não deve ter o direito de suprimir. A pena de morte, porque atinge e suprime o maior valor da humanidade, é ainda mais imoral do que seria uma absurda “pena de estupro” ou a inaceitável pena de escravidão. A própria humanidade se desmoraliza quando usa esses tipos de pena.

Aí está, a pena de morte é imoral, inútil, perigosa, contraditória e ainda, inconstitucional.

Por que tantos são a favor dela??

Para descobrir a resposta, entrei numa comunidade a favor da pena de morte, com mais de vinte mil membros, e postei o texto acima. O tópico obteve mais de cem respostas, a maioria desdenhosas e sem respeito. O argumento que mais usavam era você é contra a pena de morte porque não foi vítima. Chamaram-me de protetora de bandido diversas vezes, quase tantas quantas eu li a frase "quem poupa o lobo mata as ovelhas" e "direitos humanos para humanos direitos"...

Um tal de Chacal, perfil falso, foi o que mais ferrenhamente defendeu a pena capital, não medindo esforços nem insultos. Disse que a princezinha aqui [sic] não sabia nada da vida lá fora do meu castelo de conto de fadas e que meu cerebrozinho de paquita não conseguia acompanhar o 'raciocínio' dele. Aí, disse que, para conversarmos, eu deveria rebater um texto que supostamente refutava diversos argumentos contra a pena de morte.

Foi o que fiz. Durante a leitura, me deliciava com o pior encadeamento de idéias já visto na minha vida, enquanto sofria por saber que muitas pessoas acreditavam naquilo. O escritor, chamado Marcelo Andrade, citou quinze 'comuns objeções' à pena de morte e as respondeu, fazendo uso de muito silogismo furado. Ponho entre aspas porque a maioria não é comum, muito menos objeções plausíveis. Seguem as duas últimas:

14ª objeção:
A maioria das pessoas é contra a pena de morte.

Resposta:
Não é verdade. A maioria das pessoas é a favor da pena capital.
Nos EUA em torno de 75%, no Brasil deve ser também.

Provavelmente ele acertou ao dizer que, no Brasil, a maioria das pessoas é a favor da pena de morte. No orkut, pelo menos, pude comprovar facilmente, encontrando até comunidades como esta. Porém, eu não consigo enxergar como a sentença "a maioria das pessoas é contra a pena de morte" é um argumento contra a pena de morte! A não ser, claro, que se esteja querendo cultivar uma mentalidade de rebanho, o famoso maria-vai-com-as-outras...

15ª objeção:
Não se pode punir os criminosos com a pena capital porque a culpa é da sociedade. A pobreza é que causa a criminalidade. São traumas psicológicos que causam o crime.

Resposta:
Então, a Igreja estaria errada quando ensina que existe o livre arbítrio e, por causa dele, podemos escolher entre o bem e o mal. Os crimes existem em função da maldade humana que escolhe o mal em vez do bem. Se a sociedade fosse a culpada, não poderia haver Direito, não poderia haver nenhum tipo de repressão. O próprio Direito Civil seria inútil, pois, todo o inadimplente poderia alegar que não pagou por culpa da sociedade, e o credor não poderia cobrá-lo. O mesmo aconteceria com os “traumas psicológicos”. Dizer que a pobreza causa a criminalidade é dizer que todo pobre é ladrão. Ou seja, é uma frase preconceituosa.

Olha, esse Marcelo Andrade é muito religioso. Quatro de suas réplicas usam a Bíblia, Deus e/ou Jesus para justificar a pena de morte. Eu achava que Jesus, quando esbofeteado no rosto, virou a outra face.... Porém, segundo o ilustre intérprete, "Jesus Cristo é Deus. Deus é o autor mediato da Bíblia. Se a pena de morte fosse errada, não haveria previsão na Sagrada Escritura". Apesar de um dos dez mandamentos ser "Não matarás"... Claro, o problema é falta de abstração na hora de interpretar. A Bíblia, tendo sido escrita por diversas pessoas, pode ser incoerente. Usá-la para justificar algo tão cruel não seria heresia? A imagem “http://www.orkut.com/img/i_bigsmile.gif” contém erros e não pode ser exibida.

A última parte da resposta, porém, consegue superar o uso do Santo nome em vão. De onde vem a ligação da culpa da sociedade com a ausência de leis? Como, COMO!, dizer que a pobreza causa a criminalidade é igual dizer que todo pobre é ladrão?! Gripe causa nariz constipado, mas um nariz constipado não é apenas sinal de gripe! Pode, como eu muito bem sei, ser alergia...


- Para quem se interessar, todas as argumentações de Andrade podem ser vistas aqui.

- Eu também pretendia pôr o link da comunidade em que ocorreu a discussão, não só do meu como de diversos outros tópicos. Infelizmente, ela desapareceu esta noite. Uma pena! Perderam-se grandes pérolas, como uma garota responder ao ver meu argumento de que o Estado teria de bancar e proteger o carrasco: "Você nunca ouviu falar em cadeira elétrica? Injeção letal?". Pois é.

- Usei como fonte este texto do Dalmo de Abreu Dallari.

Setembro 18, 2006

Haligh, Haligh, uma mentira horrível

O telefone desliza de um aperto frouxo
Palavras foram perdidas, então algumas desculpas
Eu não queria lhe dizer isso
Não, é só um cara com quem ela tem saído
Oh, eu não sei
Acho que há duas semanas...
Obrigado e desligo o telefone
Deixa o funeral começar
Ouça o caixão fechar...

Bem, risadas transbordam por baixo das portas
Eu não entendo mais esse som nesta casa
Parece artificial como uma tevê esquecida ligada...

Haligh, Haligh, Haligh, Haligh
Este peso deve ser satisfeito
Você oferece apenas uma resposta:
Você não sabe o que faz

Mas você puxa e puxa seus cabelos pelas raízes
Dessa mesma cabeça que você por duas vezes removeu
Uma mecha de cabelo, você disse que provaria que
Nosso amor nunca morreria
Bem, ha ha ha!

Mas eu recordo tudo
As palavras que dissemos naquela rua gelada
E todas aquelas manhãs observando você
Se aprontar para a escola

Você se penteava em frente ao espelho
Aquele que pintou de azul e colou gotas de bijuteria
Alguma coisa naquelas cores brilhantes
Sempre a fazia se sentir melhor

Mas agora nos falamos com línguas arruinadas
E as palavras que dizemos
Não são destinadas a ninguém
São só frases resmungadas para
uma conversa passageira
Mas uma vez você...

Você disse que odiava o meu sofrimento
E que você entendia
E que você cuidaria de mim
Você sempre estaria lá...
Bem, onde você está agora?

Haligh, Haligh, Haligh, Haligh
Os planos nunca foram acabados
Mas deixados pendurados como fios
Balançando em frente aos meus olhos

Mas você puxa e puxa seus cabelos pelas raízes
Dessa mesma cabeça que você por duas vezes removeu
Uma mecha de cabelo, você disse que provaria que
Nosso amor nunca morreria

Enquanto eu canto e canto coisas terríveis
O prazer que minha tristeza traz
E meus dedos pressionam as cordas
Você ganha outra nota desajeitada

Haligh, Haligh, uma mentira horrível
Esse peso agora será satisfeito
Eu ofereço apenas uma resposta:
Eu não sei quem sou

Mas eu converso no espelho
Com o estranho que aparece
Nossas conversas são círculos
Sempre unilaterais
Nada é claro

Só que continuo voltando
a esse significado que me falta
Ele diz que as opções foram dadas
E agora devemos vivê-las
Ou não vivê-las...

Mas é o que você quer?


(Bright Eyes - Haligh, Haligh, a lie, Haligh)

Setembro 11, 2006

Tão jovens...

Eu vejo grande número dos jovens de hoje (se é que posso me excluir deles) tomados por ideais distorcidos sobre as prioridades da vida, o que ocorre em grande parte por influência da internet, para não dizer culpa. Claro, ela proporciona grandes benefícios mas, como tudo nesse mundo, tem também seu lado ruim.

Navegando por aí, é possível perceber facilmente as características dominantes dessa mentalidade atual, como a superexposição da privacidade, o consumismo e o desprezo à educação.

Existem vários exemplos no mundo online, seja no orkut, seja em fotologs, blogs ou afins. O texto abaixo foi transcrito de um testimonial feito por uma menina de aproximadamente dezesseis anos ao namorado:

"Pra mim,amar não significa beijo na boca e sexo ¬¬
Porque isso qualquer um pode fazer com qualquer um...(isso se você tiver seu pipiu ou xéca no lugar...e se não tiver,alguém te deda =D...) [sic]" .
Confesso que li e reli algumas vezes antes de acreditar nos meus olhos. Não tenho problema algum com a vida sexual da garota, para deixar bem claro; pelo contrário, é saudável que ela a tenha, com maturidade e responsabilidade. Porém, escancarar de modo tão chulo, até mesmo vulgar, algo que deveria ser mantido entre duas pessoas não me agrada. Que bom se ela tem intimidade suficiente para usar esse palavreado com o namorado! É ótimo conversar abertamente sobre sexo, mas com o seu parceiro, não à vista de conhecidos e desconhecidos...

Outra coisa impressionante é o número de meninas que usam mecanismos como o orkut e o Yahoo! Respostas para tirar suas dúvidas sobre gravidez, lembrando que não existe anonimato neste último. Elas dizem quando tiveram relações e há quanto tempo estão atrasadas, como se Deus fosse fazer um cadastro e agraciá-las com uma resposta divina...

Fiquei abismada, nunca imaginei que a situação tivesse chegado a esse ponto. Eu já tive quinze, dezesseis anos, sei como é: queremos nos sentir adultas. E as meninas de hoje parecem achar que o sexo faz delas mulheres. É a única explicação aceitável para tais acontecimentos, pois o que não falta, atualmente, é informação sobre sexo seguro, algo que uma pessoa com acesso à internet provavelmente tem.

Deixando de lado o "beijar" e "dar", os verbos preferidos da garotada são, sem dúvida, "ter" e "comprar". Os colégios particulares, durante a semana, e o shopping, no fim dela, são os lugares com mais nikes shoxs e bonés von dutch por metro quadrado da cidade. Eu não sei qual a utilidade de um boné de trezentos reais e um tênis de seiscentos. Alguém precisa disso? E, no entanto, muitos têm. Na internet, diversos blogs têm wishlists, listas com itens de desejo de consumo. Depois de adquiridos, os itens aparecem riscados. E provavelmente o próximo post mencionará como a pessoa está feliz por ter conseguido comprar aquilo com seu próprio dinheiro (o da mesada, claro)...

Sim, há os engajados. Já cheguei a ler o blog de um menino de quinze anos que acreditava que só é pobre quem quer. Se os pobres não fossem preguiçosos, eles não precisariam morar na favela e melhorariam de vida. Eles só precisavam trabalhar e estudar... E o fim do texto dizia que ele não era mimado...

Pois é. As aparências andam mais relevantes que o conteúdo. No espaço "livros", do perfil do orkut, é comum achar "odeio ler!" enquanto que o espaço TV pulula de novelas e reality shows. Parece uma apologia à burrice. Crianças na sétima série do colégio particular praticamente analfabetas... E pior: vende! O Telecine tem uma sessão especial chamada cyber movie ond as legendas saum iscritas acim ih fik insuportavel assistih. Gramática pra quê?

Deve ser uma situação reversível ou temporária, pelo menos na maioria dos casos. Há pessoas que passaram da idade e não da fase, mas são casos crônicos. Afinal de contas, a imbecilidade sempre vai existir em maior ou menor proporção. Se hoje está em voga, quem sabe um dia a mesa vire. Aí, quem souber a diferença entre seção, sessão e cessão será rei .

Setembro 08, 2006

Votos Nulos 2

No dia catorze de agosto, eu publiquei um texto sobre os votos nulos e sua influência no processo eleitoral. Algumas pessoas discordaram do que eu havia escrito e eu cheguei a pensar na possibilidade de ter feito uma análise equivocada da situação.

Para quem ainda tinha dúvidas, a edição desse mês da Super Interessante aborda o tema, porém fazendo uma interpretação diferente do art. 224 do Código Eleitoral. A reportagem afirma que, segundo o TSE, é conversa fiada a história de que os pleitos seriam cancelados caso houvesse mais de 50% de votos nulos, para cargos majoritários ou proporcionais (deputados federais, estaduais e senadores). Contudo, no caso de presidente e governador, nem o TSE tem certeza do que aconteceria, já que, segundo a reportagem, a Constituição conflita com o artigo acima citado.

Aí está a diferença. Eu tinha escrito anteriormente, com base no art. 220 do Código Eleitoral, que se houver a nulidade de mais de metade dos votos de uma eleição ela terá que ser feita novamente. (...) Porém, a nulidade de votos não se faz em função de votos nulos. A matéria não levou em conta os casos de nulidade descritos no art. 220, nem o parágrafo segundo do art. 224, que eu também não notei:

§2º. Ocorrendo qualquer dos casos previstos neste capítulo o Ministério Público promoverá, imediatamente, a punição dos culpados.
A explicação do ministro Marco Aurélio Mello, retirada do texto do dia seis de setembro do Blog do Fernando Rodrigues:
“Como se observa, o parágrafo 2º desse artigo fala em ‘punição aos culpados’. Ora, quem vota nulo por vontade ou por erro não é culpado de nada nem pode ser punido, até porque o voto é dado de maneira secreta. Além disso, os artigos anteriores ao 224 no Código Eleitoral explicitam que quando se tratou ‘nulidade’ o legislador se referia a votos anulados em decorrência de atos ilícitos, como fraude em documentos, por exemplo. Não quis se tratar do voto nulo dado pelo próprio eleitor”

As explicações do ministro são muito esclarecedoras. Quem ainda estiver incerto, por favor, leia.

Setembro 04, 2006

Filha de Peixe...

(título também alusivo ao time de futebol, uma lembrança sutil e indireta sobre a rodada do fim de semana)

Na época que meu pai tinha uns dez anos e a cidade ainda era segura e tranqüila, pular o muro do colégio nos fins de semana para jogar bola na quadra não era uma tarefa muito arriscada. Não sem antes pegar uns trocados com a senhora que trabalhava na casa da minha vó, Clarinda, para tomar um refri depois da pelada.

Um dia, porém, vendo que meu pai e os outros quatro irmãos andavam bebendo muito refri na rua, minha vó proibiu Clarinda de dar dinheiro pra molecada. Desavisado, lá vai meu pai pegar um dinheirinho:

- Ô Clarinda, me dá cinco cruzeiros.

- Posso dar mais dinheiro procê não.

- Ah, ô Clarinda, arranja aí pra mim.

- Num posso, se quiser pede pra sua mãe.

E continuou fritando seus sonhos serenamente. Meu pai vai até o quarto da minha vó:

- Ô mãe, a Clarinda não quer me dar cinco sonhos...

- Mas como assim, não quer te dar sonho?!

- Ela falou pra eu pedir pra você...

- Fala pra ela que eu deixei.

E volta pra cozinha:

- Ela falou pra você me dar cinco.

Descrente, Clarinda grita lá da cozinha:

- Dona Maria, pode dar cinco pra ele??

Minha vó responde:

- Pode, pode, pode dar até mais se ele quiser!

E meu pai vai jogar bola, com cinco cruzeiros, cinco sonhos e um sorriso.

(...)

Hoje eu fiz a melhor piadinha em aula do ano (bom, eu gostei...). Aula de Direito Comercial, o professor explicando fusão de empresas. Ia falando enquanto desenhava no quadro:

- Então nós temos a empresa Rafael S/A e a empresa Maria Ltda., que vão se fundir.

E eu respondo:

- Ah, eu não quero ser limitada!!!

Setembro 01, 2006

Oi!

A partir de hoje estarei por aqui. Atualizem seus endereços