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Abril 27, 2006

Muß es sein?


"Não existe meio de verificar qual é a decisão acertada, pois não existe termo de comparação. Tudo é vivido pela primeira vez e sem preparação. Como se um ator entrasse em cena sem nunca ter ensaiado. Mas o que pode valer a vida, se o primeiro ensaio da vida já é a própria vida? É isso que leva a vida a sempre parecer um esboço. No entanto, mesmo esboço não é a palavra certa, pois um esboço é sempre o projeto de alguma coisa, a preparação de um quadro, ao passo que o esboço que é a nossa vida não é o esboço de nada, é um esboço sem quadro.


Tomas repete para si mesmo o provérbio alemão: einmal ist keinmal, uma vez não conta, uma vez é nunca. Poder viver apenas uma vida é como não viver nunca".

Kundera redigiu o livro que eu gostaria de ter escrito quando fez "A Insustentável Leveza do Ser". Não me identifico com nenhum personagem: nenhum drama na minha vida, nenhuma história de traições, talvez alguns sonhos agonizantes e só. Mas o livro é romântico, erótico, extremamente filosófico, num ambiente político. Te faz pensar, sentir, imaginar, querer...
No trecho acima, Tomas tenta se persuadir e escapar da recriminação por não saber o que deseja. "Ficar com Tereza ou continuar sozinho?". Mais adiante no livro, ele se resigna e cita Beethoven: Es muß sein! Es muß sein! (Tem que ser assim!). O último movimento do último quarteto de Beethoven.

Muß es sein? (Tem que ser assim?)

Tomas e Tereza estão unidos por sete coincidências. Uma delas não tomasse lugar, nunca teriam se conhecido. Muß es sein? Tudo o que se sucede ao dia em que se encontraram, acontece por causa de sete coincidências. Sete acontecimentos fortuitos que determinam o futuro da vida dos dois. Muß es sein?

Quantos acasos se mostram essenciais, quantos detalhes se tornam relevantes, quantos acidentes transformam toda uma vida? Quem decide? Quem escolhe que rumo dar às coisas? Quem diz que tem que ser assim?

Tem que ser assim?

Abril 22, 2006

Digressões

O pensador, Rodin
Entediadíssima apesar do feriadão gostoso. Precisando estudar e esse friozinho... dá uma fooome, não paro de comer um minuto. Ontem à noite foi pão de alho, sopa de legumes, cappuccino, queijo, miojo, banana... Tudo por causa de uns 18ºC. Ando dormindo demais, tendo sonhos estranhos. Fui chantageada com fotos de uma câmera instalada na minha casa e andei num elevador sem paredes. Foi uma agonia, aquele chão estreito e eu agarrada na corrente. Mas sobrevivi.

E é a tpm chegando quando assisto American Idol e fico emocionada. Poxa, o cara é o mais novo de cinco irmãos. Irmãos, nenhuma menina. O moço já é um vencedor só por estar vivo! Eu sou a irmã mais velha de um moleque e é fantástico como ainda não enlouqueci. Completamente.

Falando em loucura, lembrei de outro sonho. Alguém tinha me batido, sem querer, mas eu fiquei nocauteada. Meu rosto inchadaço, não conseguia abrir um olho, perdi um dente, tudo sangrando. Eu tava no balcão dum bar cercada pela minha família. E alguém jogava sal na minha boca para parar de sangrar. Velhas memórias inconscientes de "Menina de Ouro".

OK, curti essa nova função do orkut. Claro, vai ser péssimo para fuçar o orkut alheio, mas bonzinho para ver quem bisbilhotou o seu. Pena que só atualiza uma vez por dia. Pensei "opa, vou demorar para pegar alguém interessante por aqui, mas um dia pegarei!". Saí, jantei, dei uma volta, encontrei as amigas. Cheguei em casa, abri o orkut e lá estava estampado nas cinco últimas pessoas xeretas: minha inimiga mortal, com nome e sobrenome. Tá, tá, tá. Inimiga mortal é exagero. Mas eu não gosto dela. E ela tava metendo o nariz na minha vida. Logo, ela tá querendo briga (silogismo brilhante!). Alright. Vou lá e deixo um scrap para ela. "Perdeu alguma coisa?"

E é isso aí. Vamos lá fim de semana, que eu até quero que chegue segunda-feira.

Abril 16, 2006

Mimi, a Quase Suicida

Mimi, a quase suicida

Alguém lhe dissera que tinha olhos tristes, interessantes.
E foi assim, depois disso. Ela caminhou até o meio da ponte.
Percebeu que o rio tinha atraentes tintas espiralantes.
Teria que pular para uma visitinha. Bons antecedentes a moviam:
Ofélia, Mrs. Woolf, e essas feministas ranzinzas.
Um final melhor que um tedioso amor na província:
um passeio encharcado, um saco de papel amassado e cinza.