08 Março 2010

A anulação do exame 2009.3 da OAB


No último domingo de fevereiro (28), foi realizada a 2ª fase do exame 2009.3 da Ordem dos Advogados do Brasil, a OAB. Logo em seguida, surgiram boatos de que a prova tinha sido fraudada e na terça feira (2) a correção foi suspensa. Hoje (7), a OAB decidiu anular a etapa em questão, remarcando-a para o dia 11 de abril.

Durante essa semana, participei de discussões sobre o assunto numa comunidade no orkut. A minha posição sempre foi a de que, se houve fraude comprovada, não haveria outra alternativa senão a de anular a prova. Afinal, seria inconcebível que se permitisse a aprovação de alguém que burlou o exame.

Para mim, esse era um raciocínio cristalino. Como bem disse o presidente do Conselho Federal da OAB, "a Ordem não vai permitir, em hipótese alguma, que um bacharel em Direito seja admitido na carreira da advocacia 'pela porta do crime' ".

Então não posso dizer que não fiquei surpresa quando vi que a maioria esmagadora dos bacharéis (pelo menos os da tal comunidade) eram contrários à anulação. Pessoas com argumentos do tipo "você acha que nunca teve fraude nos outros exames? então deixa esse quieto". Pessoas que só querem a carteirinha em mãos, ainda que isso implique na aprovação de quem fraudou a prova. Pessoas que querem ser advogadas...

Fiquei pasma ao ver um já advogado dizer com todas as letras que "é muito melhor aceitar o fato de que alguns poucos indivíduos inescrupulosos ingressem na advocacia do que cercear os sonhos de milhares de bacharéis que honestamente, com o suor do rosto, chegaram até aqui".

Me desculpem, mas um advogado falando isso? Falando que prefere ter bandidos como parceiros de profissão do que se determinar a repetição de uma prova? O cúmulo! O que mostra que a prova da OAB realmente não filtra tanto assim, não é mesmo?

Sim, teremos mais um mês de estudos para nos prepararmos mais uma vez para uma prova longa e cansativa. Mas isso não é o fim do mundo, nem de longe! A anulação é, sem sombra de dúvida, a decisão mais acertada. Uma pena que a prova não avalie integridade...

Ah, sim. Usaram muito o argumento de que eu só era a favor da anulação porque fui mal na prova. Bom, fiz civil, uma prova da qual muitos fogem como o diabo da cruz. Na peça, que era uma contestação, argumentei como preliminar a falta de outorga uxória e, no mérito, que o autor não podia reivindicar coisa de que não era proprietário. Denunciei a lide, mas ao pensar melhor creio que não era necessário. Errei uma pergunta. Acertei duas, respondi duas mais ou menos, incluindo a da pegadinha do feriado. Se era o suficiente para passar, eu não sei. Tire suas próprias conclusões.
06 Fevereiro 2010

Meus dons


talentos
Quando eu era criança, eu achava que, mais cedo ou mais tarde, meus talentos iam aflorar.

Primeiro achei que eles seriam relacionados a esportes. Fiz natação, mas logo ficou claro que meu porte físico não era o de uma campeã (dom não é tudo, né gente?). Então fiz ballet e ginástica olímpica, que são esportes de baixinhos, mas eu também não tinha o equilíbrio e a elasticidade suficientes.

Desapontada, pensei às favas com o talento, eu quero é ser bonita, e fui virar modelo. Eu era baixinha, mas salto taí pra isso. Eu era comum, mas maquiagem taí pra isso. Só que aí eu também precisava de equilíbrio, que não é meu forte mesmo. E eles ainda queriam me ensinar boas maneiras, ou seja, aquilo não era pra mim.

Revoltada, comecei a ouvir uns rocks pesados e pensei é isso, vou ser rock star. Quis aprender a tocar bateria, mas essa vontade foi reprimida. Quis aprender a tocar guitarra, mas essa vontade não foi incentivada.Cantar eu já nasci sabendo que não sabia. E nisso eu já tava velha e cadê meus dons?

E nessas e outras eu sempre escrevendo sobre os dramas da vida e quem sabe esse não é meu talento? Digo, não é uma joia rara, preciosa, lapidada, mas é melhor que nada. Tudo bem, eu não sou a mulher mais rápida do oeste. Não sou über model. Não sou Beyoncé na falta de uma roqueira (não digam Pitty). Mas eu escrevo, tem que ter uma vantagem nisso...

Nem que seja, sei lá, que eu posso fazer isso sem sair de casa, usando meu pijama. Talvez no futuro, quando eu tiver uns 87 anos, isso seja uma recompensa.
03 Fevereiro 2010

Quando um estranho interage


balão conversa
Acho difícil interagir com estranhos e estranho estranhos querendo interagir.

Já contei da mulher de calcinha na praia que resolveu falar comigo. Naquele caso, usei a técnica de responder perguntas com outras perguntas, mas esse método só funciona para situações restritas. Na maioria das vezes, eu fico mesmo sem saber o que falar.

Lembro uma vez que me faltaram tantas palavras que uns cinco dicionários em diferentes línguas não seriam suficientes. Eu e meu namorado sempre íamos a esse bar, tanto que a hostess/garçonete de lá já nos conhecia. E como era inverno, eu pedia vinho pra esquentar. Eis que um dia, eu já tinha tomado umas duas ou três taças, ela chega do meu lado e me abraça. Assim, põe o braço nos meus ombros, sabe? Chega perto do meu ouvido e sussurra:

- Sua boca fica tão lindinha quanto você toma vinho! Fica roxinha, uma graça!

 Sério, o que você responde numa situação dessas? Nem lembro o que falei, no máximo um "ah, é? que coisa", porque nem "brigada" dá pra responder, vai que ela acha que eu tô correspondendo a "investida"! Depois disso, eu só vi ela lá mais umas duas ou três vezes. Deve ter sido despedida por assédio homossexual.

Aí ontem eu tava passeando com a Piti. Rolou uma alergia nela, então ela tava com umas falhas no pêlo (sou oldschool). Aí apareceu uma mulher:

- Sarna seca? A primeira água do feijão.

Eu não conseguiria pensar em um conjunto de palavras menos relacionadas: sarna - seca - água - feijão. Pedi pra desenvolver.

- Se for sarna seca, sabe, não aquela que sangra? A melhor coisa é a primeira água do feijão.

- Água do feijão? Mas você faz o cachorro beber, joga no pêlo ou o quê?

- Joga no pêlo! É a melhor coisa. Ainda mais se for feijão preto.

Adoro senso comum, é tão surpreendente! A dica foi boa, seria ainda melhor se eu soubesse o que é a primeira água do feijão, posso só criar suposições...
29 Janeiro 2010

Plágio: como descobrir e o que fazer


Eu sei, esse assunto já cansou e o blog está ficando monótono. Mas no momento minha vida se resume a ficar de olho em plagiadores e estudar pro exame da OAB, então believe me, é melhor que eu fale de plágio.

Como descobrir se fui plagiado?
Já fui plagiada diversas vezes. Sempre que eu comentava o assunto, alguém perguntava como eu tinha descoberto. Existem alguns sites especializados em procurar textos duplicados na internet. O meu preferido é o Copyscape. Infelizmente, se você não tem uma conta premium, ele só te dá os dez primeiros resultados e, pelo menos comigo, a grande maioria é de diretórios em que cadastrei o blog. Existe também o CopyGator, mas ele nunca achou nada e, como eu disse, já foi plagiada vezes o suficiente pra ele achar algo.

Então o único modo realmente satisfatório de achar plágios é pegar frases dos seus textos e jogar no Google entre aspas. Claro que a frase não pode ser muito genérica. Recomendo procurar por mais de uma frase do mesmo texto, já aconteceu de eu procurar uma e não achar plágios, mas encontrar com outra. É também uma boa ideia jogar o fim de uma frase com o começo da outra, sempre entre aspas. É possível que exista uma frase parecida, juntando pedaços de duas fica mais eficaz

UPDATE: A

Fui plagiado, e agora?
Acho que é sempre bom recorrer à lei da boa vizinhança e entrar em contato com o dono do blog, pedindo pra ele te dar os créditos ou apagar o texto (o que você preferir ou o que estiver de acordo com seus termos de uso). Normalmente, plagiadores mau caráter não gostam de ser descobertos, apagam o blog inteiro e somem. Quem só gostou do texto e não quis dar uma de espertinho, coloca os créditos. Por isso é sempre bom conversar com educação, é raro mas ainda existem pessoas que não querem mal aos outros.

Se não funcionar, a pessoa ignorar ou não tiver meio de contatá-la, cabe denunciar. Quando o blog é hospedado no Blogger (a grande maioria dos casos, pois é a plataforma mais amigável para iniciantes), basta preencher esse formulário: Notificação de violação do Blogger. O Blogger vai verificar a denúncia e, se constatar que houve violação ao DMCA (Lei de Direitos Autorais do Milênio Digital, em inglês), irá apagar os plágios. Demora cerca de uma semana.

Como preencher o formulário?
É preciso preencher todos os campos e pode surgir dúvidas quanto a alguns deles. Normalmente eu preencho assim:


  • Nome da empresa: O nome do blog.
  • O detentor de direitos autorais que eu represento: Seu nome.
  • Local do trabalho protegido por leis de direitos autorais: Permalink(s) do seu blog do(s) texto(s) que foi(ram) plagiado(s).
  • Qual é trabalho protegido por leis de direitos autorais? O trabalho protegido por direitos autorais é o texto "Nome do texto" de autoria de "Autor".
  • Local (URL) do material infrator no catálogo: Permalink(s) do blog do plagiador.
  • O local (URL) do conteúdo do infrator para o qual o blog está criando um link: Não há (aplicável apenas para sites que disponibilizam downloads).

Como evitar o plágio?
Existem algumas formas de dificultar a vida dos plagiadores. Como eles são preguiçosos, talvez desistam se você dificultar muito o trabalho (se bem que eles também são persistentes..).
Um método para evitar o plágio é colocando um código javascript que desabilita a seleção de texto e/ou o clique com o botão direito do mouse. Mas para burlá-lo (conjugação feia!), basta abrir o código fonte da página.
Outro método é esconder links para seu próprio blog no meio das postagens. Assim, se o plagiador não se der ao trabalho de editar o texto, vai linká-lo sem perceber e você descobre o plágio. Porém, o Google pode punir essa prática.
Uma ideia melhor que parte do mesmo princípio é criar links que apontem para páginas internas do seu próprio blog. Porém, como esse link será visível, o plagiador pode vê-lo com mais facilidade.

Quanto aos plágios do texto abaixo: um blog já foi deletado; creio que as postagens do outro serão apagadas em breve :)
26 Janeiro 2010

Tem coisas que eu não entendo 2


Ok. Não entendo de cadeiras massageadoras e filhos adestrados. Mas posso conviver com isso, posso aceitar que faz parte da natureza humana alguém querer uma massagem e se orgulhar da sua cria.

Sabe com o que eu não posso conviver? Com falta de caráter e de escrúpulos, porque me recuso a aceitar que isso faz parte da natureza humana. Só lamento alguém que tem tanta convicção da própria incapacidade que decide se apossar da criação de outra pessoa.

Porque eu simplesmente não entendo, não entra nessa cabeça aqui. É tão ridículo, copiar os textos de outra pessoa não vai fazer você saber escrever! Receber elogios por algo que você não fez não é motivo de orgulho! E mais cedo ou mais tarde, você vai ser pego!

É cobrir a ignorância com estupidez e tirar diploma de burrice com láurea. E medalha de honra ao mérito.

Sei lá, não entendo porque alguém faz isso e continua fazendo mesmo depois de ser pego no pulo. Se alguém me pegasse fazendo coisa tão deplorável, eu me enfiava no buraco mais próximo.

Fica a dica, Haaay e Andréia!
 
Quer saber mais sobre plágio e direitos do autor? Leia os Termos de Uso.

Outros plágios:

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