02 Novembro 2009

Romeu e Julieta no Rio de Janeiro


rio de janeiro
Ele, Romeu. Ela, Julieta. Conheceram-se num baile funk, sem máscaras, sem glamour e há quem diga que sem certas peças de roupa também. Foi ao som de Mr. Catra ("vem Mariana, Juliana, Marieta, Julieta..") que seus olhares se cruzaram pela primeira vez. Tinham tudo para dar certo exceto, claro, o precedente.

Apaixonaram-se.

Mas (toda história tem um "mas"..) os pais de Julieta não aprovaram o novo genro. Queriam que a filha tivesse um bom futuro, o que não seria possível com um cara sem segundo grau completo, com dois filhos pra criar e cujo nome artístico era H. Romeu.

Então Julieta fugiu de casa para morar com Romeu no puxadinho em cima da casa da sogra. No começo, tudo eram flores. Romeu, que era rapper, fazia as mais belas rimas e as declarava ao som de beatbox para Julieta, ao pé da laje.

Mas como amor não enche barriga nem lava a roupa, com o tempo Julieta foi cansando da vida puxada de dona de casa. Seus pais  não perdiam a chance de lembrá-la dos confortos que teria se voltasse para casa e do "amigo rico" da família que estava louco para conhecê-la.

Escolheu o caminho fácil e voltou.

Romeu ficou com o coração partido, desolado, acabado. De um modo estranho, isso estimulou suas habilidades de cantor e compositor.  Não demorou muito para fazer sucesso, ficar rico, famoso e se mudar para uma cobertura em Copacabana.

Julieta casou-se com o amigo, que descobriu ser apenas de classe média. Foram morar num apartamento financiado no subúrbio, tiveram um filho e, durante a crise da meia idade, ele a deixou. Hoje ela mora sozinha com oito gatos.

Os pais de Julieta ainda não perdoaram um ao outro.

- leia também: Romeu e Julieta no séc. XXI

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22 Outubro 2009

A diferença entre uma comédia e um drama



Toca meu celular, era o namorado.

- Oi, atendi.

- Oi, eu queria falar com o Arnaldo.

- Ah! Você queria falar com o Arnaldo?

Quem diabos liga por engano pra namorada?

- Isso, ele está?

- Não, ele não está não. Você não sabe quem tá falando?

Quem diabos liga por engano pra namorada e não reconhece a voz?

- Esse celular não é do Arnaldo?

- Não, você sabe muito bem de quem é esse celular.

- Desculpa o engano.

E desligou. Cinco minutos depois, ligo pra ele:

- E aí, conseguiu falar com o Arnaldo?

Após alguns momentos de hesitação até ele entender o que houve, descobri que o celular do tal Arnaldo tem apenas um número diferente do meu. O que causou a situação engraçada.

Pro bem de todos os envolvidos, ele não perguntou por uma "Arnalda". Seria apenas uma letra diferente, mas o resultado seria completamente outro!

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08 Outubro 2009

Complexo de Pasquale


Sou mulher, tenho uma vocação natural para a arte de matraquear, mas acho que comecei a exercê-la muito tarde. Desde que aprendi a juntar a + b sou uma devoradora de livros, revistas, gibis, qualquer coisa representada por letras, o que enriqueceu meu vocabulário, mas prejudicou minha fala. Ler antes de aprender sobre sílabas tônicas foi um grande erro, cujas sequelas ainda carrego.

alfabetoJamais esquecerei: jogo de forca na terceira série. Eu descobri a palavra, mas falei errado, horosCÓpo, e perdi. Sétima série, disse que fulana de tal tinha miÓpia. Todo mundo riu.

Nunca mais errei horóscopo. Miopia confesso que ainda erro. E tantas outras palavras que teimam em fazer pulular a sílaba tônica errada ou, pelo menos, trocar uma vogal fechada por aberta. Para mim, maizena é Ámido de milho. Um canto escuro é um bÉco. Esses dias descobri que dois anos são bÓdas de algodão. Meu namorado recarrega o isqueiro com flÚido. Eu que fui comprar pra ele. Cheguei na loja, fiquei com medo de errar e fingi que tinha esquecido a palavra:

- Oi, eu queria comprar.. aquele liquidozinho que coloca no isqueiro pra acender..

Você, que enchia o saco da sua professora de português querendo saber porque precisava aprender sobre oxítonas, paroxítonas, monossílabos e afins, agora já sabe. Não despreze seu conhecimento. Afinal, de nada adianta ter um vasto vocabulário se você não pode usá-lo.

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03 Outubro 2009

O relógio cuco de todas as horas


relogio cuco
Eis que em pleno século XXI ainda existem pessoas que têm relógios cuco, daqueles que tem que dar corda. E uma delas acontece de morar em um apartamento vizinho.

Claro, antiguidades são legais, tradições são importantes, blablablá. Mas meu sono é igualmente importante e, apesar de eu adorar animais (pombas e baratas não se incluem), tenho vontade de estrangular aquele passarinho toda hora que ele sai pra piar as horas. E são 48 vezes em uma noite.

Afinal, inventaram o rádio relógio e o visor digital exatamente pra quem quer saber que horas são sem acender a luz. Por isso eu fiquei feliz quando descobri que meu vizinho ia se mudar - nada pessoal.

Mesmo assim, continuei acordando com o som do cuco. E descobri que meu novo vizinho, claro!, tinha um relógio cuco.

Cheguei a ficar perplexa com a minha terrível falta de sorte, trocar um dono de cuco por outro. Mas às vezes eles têm um fã clube do cuco ou uma daquelas entidades misteriosas como os maçônicos e os rotarianos, quem sabe?

O tempo passa (devagar ao som do passarinho) e tchanananan! Meu novo vizinho se muda. E aí...

Vou falar de uma vez, porque vocês não vão acreditar: o novo vizinho novo tem um relógio cuco! Eu também mal acreditava nos meus ouvidos, mas era verdade, e a verdade dói mesmo. Nesse caso, nos tímpanos.

Cheguei a procurar no Google pela tal sociedade secreta. Procurei até mesmo por 'técnicas sutis de tortura à distância'. Porque não era possível. Ninguém tem tanto azar.

Até que me ocorreu de perguntar a quem tudo vê, tudo ouve e tudo sabe, pelo menos num condomínio: o porteiro. E.. bem, a verdade é que o antigo morador tinha voltado pro apartamento.

Eu ainda não durmo em paz, mas já posso cumprimentar o vizinho no elevador sem medo.

foto daqui

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